Projeto Político Pedagógico

O(a) Licenciado(a) em Química é o(a) professor(a) que planeja, organiza e desenvolve atividades e materiais relativos à Educação Química. Sua atribuição central é a docência na Educação Básica, que requer sólidos conhecimentos sobre os fundamentos da Química, sobre seu desenvolvimento histórico e suas relações com diversas áreas; assim como sobre estratégias para transposição do conhecimento químico em saber escolar. Além de trabalhar diretamente na sala de aula, o(a) licenciado(a) elabora e analisa materiais didáticos, como livros, textos, vídeos, programas computacionais, ambientes virtuais de aprendizagem, entre outros.
Realiza ainda pesquisas, coordena e supervisiona equipes de trabalho. Em sua atuação, prima pelo desenvolvimento do(a) educando(a), incluindo sua formação ética e a construção de sua
autonomia intelectual e de seu pensamento crítico.

O(a) Licenciado(a) em Química poderá trabalhar como professor(a) em instituições de ensino que oferecem cursos de nível fundamental e médio; em editoras e em órgãos públicos e privados que produzem e avaliam programas e materiais didáticos para o ensino presencial e a distância. Além disso, poderá atuar em espaços de educação não formal, como feiras de divulgação científica e museus; em empresas que demandam sua formação específica e em
instituições que desenvolvem pesquisas educacionais. Também poderá atuar de forma autônoma em empresa própria ou prestando consultoria.

As competências profissionais do(a) licenciado(a) em Química incluem um conjunto de aspectos voltados à formação pessoal enquanto sujeito sócio-histórico, à compreensão da Química enquanto área do saber, à busca de informação e à comunicação e expressão, ao ensino de Química e à profissão docente. Assim como o perfil profissional, as competências descritas abaixo foram orientadas pelos Referenciais Curriculares Nacionais voltados aos Cursos de Licenciatura em Química 9 (MEC, 2010).
Com relação à formação pessoal:
 possuir conhecimento sólido e abrangente na área de atuação, com domínio das técnicas básicas de utilização de laboratórios, bem como dos procedimentos necessários de primeiros socorros, nos casos dos acidentes mais comuns em laboratórios de Química;
 possuir capacidade crítica para analisar de maneira conveniente os seus próprios conhecimentos; assimilar os novos conhecimentos científicos e educacionais e refletir sobre o comportamento ético que a sociedade espera de sua atuação e de suas relações com o contexto cultural, socioeconômico, político e ambiental;
 identificar os aspectos filosóficos e sociais que definem a realidade educacional;
 identificar os processos de ensino e aprendizagem como processo humano em construção;
 ter uma visão crítica com relação ao papel da Ciência na sociedade e à sua natureza epistemológica, compreendendo o processo histórico-social de sua construção;
 saber trabalhar em equipe e ter uma boa compreensão das diversas etapas que compõem uma pesquisa educacional;
 ter interesse no seu desenvolvimento profissional docente, curiosidade e capacidade para estudos  extracurriculares individuais ou em grupo, espírito investigativo, criatividade e iniciativa na busca de soluções para questões individuais e coletivas relacionadas com o ensino de Química, bem como para acompanhar as rápidas mudanças tecnológicas oferecidas pela interdisciplinaridade, como forma de garantir a qualidade do Ensino de Química;

 ter formação humanística que permita exercer plenamente sua cidadania e, enquanto profissional, respeitar o direito à vida e ao bem-estar dos cidadãos;

 ter habilidades que o(a) capacitem para a preparação e desenvolvimento de recursos didáticos e instrucionais relativos à sua prática e avaliação da qualidade do material disponível no mercado;
 possuir conhecimentos e habilidades para atuar como pesquisador(a) na Educação Química.
Com relação à compreensão da Química:
 compreender os conceitos, leis, modelos, teorias e fenômenos da Química;
 conhecer as propriedades físicas e químicas principais dos elementos e compostos, que possibilitem entender e prever o seu comportamento físico-químico, aspectos de reatividade, mecanismos e estabilidade;
 acompanhar e compreender os avanços científico-tecnológicos e educacionais;
 reconhecer a Química como uma construção humana e compreender os aspectos históricos de sua produção e suas relações com o contexto cultural, socioeconômico e político.
Com relação à busca de informação e à comunicação e expressão:
 saber identificar e fazer busca nas fontes de informações relevantes para a Química, inclusive as disponíveis nas modalidades eletrônica e remota, que possibilitem a contínua atualização técnica, científica, humanística e pedagógica;
 ler, compreender e interpretar os textos científico-tecnológicos em idioma pátrio e estrangeiro (especialmente inglês ou espanhol);
 saber interpretar e utilizar as diferentes formas de representação (tabelas, gráficos, símbolos, expressões etc.);
 saber escrever e avaliar criticamente os materiais didáticos, como livros, apostilas, "kits", modelos,  programas computacionais, materiais alternativos e demais objetos educacionais;
 demonstrar bom relacionamento interpessoal e saber comunicar corretamente os projetos e resultados de pesquisa em linguagem oral e escrita, em idioma pátrio.
Com relação ao Ensino de Química:
 refletir de forma crítica a sua prática em sala de aula, analisando as situações e dificuldades nos processos de ensino e aprendizagem;
 compreender e avaliar criticamente os aspectos sociais, tecnológicos, ambientais, políticos e éticos relacionados às aplicações da Química na sociedade;
 saber trabalhar em laboratório e saber usar a experimentação em Química como recurso didático;
 possuir conhecimentos básicos sobre o uso de computadores e sua aplicação em Ensino de Química;
 possuir conhecimento dos procedimentos e normas de segurança no trabalho;
 conhecer teorias psicopedagógicas que fundamentam os processos de ensino e aprendizagem, bem como os princípios de planejamento educacional;
 conhecer os fundamentos, a natureza e as principais pesquisas de Ensino de Química e seus paradigmas;
 conhecer e vivenciar projetos e propostas curriculares de Ensino de Química;

 ter atitude favorável à incorporação, na sua prática, dos resultados da pesquisa educacional em Ensino de Química, visando a solucionar os problemas relacionados ao ensino e aprendizagem.
Com relação à profissão:
 ter consciência da importância social da profissão como possibilidade de desenvolvimento social e coletivo;
 ter capacidade de disseminar e difundir e de utilizar o conhecimento relevante para a comunidade;
 atuar no magistério, na Educação Básica, de acordo com a legislação específica, utilizando metodologias de ensino variadas, contribuindo para o desenvolvimento intelectual dos(as) alunos(as) e para despertar o interesse científico em adolescentes; organizar e usar laboratórios de Química; escrever e analisar criticamente livros didáticos e paradidáticos e indicar bibliografia para o ensino de Química; analisar e elaborar programas para esses níveis de ensino;
 exercer a sua profissão com espírito dinâmico, criativo, na busca de novas alternativas educacionais, enfrentando como desafio as dificuldades do magistério;
 conhecer criticamente os problemas educacionais brasileiros;
 identificar, no contexto da realidade escolar, os fatores determinantes no processo educativo, tais como o contexto socioeconômico, a política educacional, a administração escolar e fatores específicos dos processos de ensino e aprendizagem em Química;
 assumir conscientemente a tarefa educativa, em sua ótica emancipatória política, cumprindo o papel social de preparar os(as) alunos(as) para o exercício consciente da cidadania;
 desempenhar outras atividades na sociedade, para cujo sucesso uma sólida formação universitária seja importante fator.

O curso de Licenciatura em Química está estruturado em noves semestres, constituídos por núcleos de formação integrativos a partir dos quais serão estabelecidas as relações entre os saberes específicos e os saberes pedagógicos, assim como a relação teoria e prática.
De acordo com o esquema apresentado na Figura 2, a Matriz Curricular do curso de Licenciatura em Química contempla 3 Núcleos de Formação Inicial. Essa composição respeita as orientações previstas nos incisos I, II e II do Artigo 12o da Resolução CNE/CES no 2/2015, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior.

O Núcleo denominado de Básico neste PPC, refere-se ao núcleo de estudos de formação geral, das áreas específicas e interdisciplinares, e do campo educacional, seus fundamentos e metodologias, e das diversas realidades educacionais, conforme estabelecido no inciso I, do art. 12, da Resolução CNE/CES no 2/2015. Desta forma, compreende os componentes curriculares essenciais, envolvendo teoria e laboratório. Engloba saberes de
Química Geral, Matemática, Física e do campo educacional, articulados na perspectiva de construir uma visão integradora das ciências em geral e da Química em particular.
O Núcleo chamado de Específico, por sua vez, refere-se ao núcleo de aprofundamento e diversificação de estudos das áreas de atuação profissional do(a) licenciado(a) em Química, incluindo os conteúdos específicos e pedagógicos, em sintonia com os sistemas de ensino, conforme estabelecido no inciso II, do art. 12, da Resolução CNE/CES no 2/2015. Neste núcleo serão tratados os saberes considerados estruturantes para o
desenvolvimento de competências para a docência, de acordo com o perfil desejado para o egresso.
Por fim, o Núcleo Complementar, correspondente ao núcleo de estudos integradores previsto no inciso II, do art. 12, da Resolução CNE/CES no 2/2015, está integrado aos demais núcleos nesta matriz curricular integrativa, sendo composto pelos Estágios Supervisionados, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e pelas Atividades Complementares (AC).
Define-se como Atividades Complementares as atividades teórico-práticas, de natureza acadêmica, científica, artística e cultural que buscam a integração entre ensino, pesquisa e extensão, em áreas relacionadas ao curso. Estas práticas se distinguem das práticas pedagógicas previstas no desenvolvimento regular dos Componentes Curriculares (CCs) obrigatórios do currículo. Essas atividades estarão voltadas para a articulação entre o saber, o
saber-fazer e o saber-ser em espaços e situações reais da docência.
São consideradas Atividades Complementares:
1. participação ou execução de projetos de ensino, pesquisa e/ou de extensão na área de conhecimento do curso, com orientação de um servidor;
2. atuação como monitor de unidades curriculares do curso; 

3. participação e/ou organização de eventos científicos ou tecnológicos relacionados à área do curso;
4. realização de estágio não obrigatório na área;
5. participação como ouvinte em defesas de trabalho de conclusão de curso (TCC), em nível de graduação, de pós-graduação lato sensu e stricto sensu;
6. participação em intercâmbio estudantil;
7. participação e/ou organização de feiras institucionais ou em parceria com instituições externas ao câmpus;
8. participação em cursos de formação inicial e continuada, oficinas ou minicursos, desde que possuam certificado e sejam relacionados à área do curso;
9. participação ou execução de atividades de caráter científico ou tecnológico;
10. participação ou execução de atividades de caráter educativo, social, cultural, artístico ou desportivo relacionadas à área de formação;
11. realização de trabalho voluntário, atividades beneficentes e atividades comunitárias relacionadas ao curso;
12. representação estudantil;
13. representação acadêmica (Colegiado de Curso, Colegiado do câmpus e/ou do IFSC, grupos de trabalho, entre outras);
14. participação em atividades de iniciação à docência;
15. publicação em anais, revistas e livros relacionados à área de formação.
Além das atividades acima elencadas, quando necessário e possível, serão oferecidos Cursos Extracurriculares para consolidação dos saberes linguísticos, matemáticos, das ciências naturais e das humanidades, por meio de programas ou ações especiais, em módulos ou etapas concomitantes à realização dos componentes previstos na matriz curricular. Estes terão sua oferta organizada pela coordenação de curso, sendo disponibilizados em horário flexível e conforme disponibilidade de carga horária docente e necessidades identificadas ao longo do
percurso de formação dos(as) estudantes. Vale destacar que, os(as) licenciandos(as) aprovados(as) nestes cursos extracurriculares receberão um certificado correspondente, cujas horas poderão ser validadas como AC.
Desta forma, as ACs representam um instrumento válido para o aprimoramento da formação básica, sendo essenciais para a formação humanística, interdisciplinar e para enriquecimento da formação acadêmica. Essas atividades serão registradas pelos(as) licenciandos(as) em um portfólio, conforme orientações estabelecidas em Regulamento próprio, sendo apreciado por comissão constituída por professores(as) do(a) curso. Uma vez reconhecido o mérito, o aproveitamento e a carga horária, as atividades serão validadas para compor a carga
horária prevista e devidamente registrada no histórico acadêmico.
Conforme a especificidade, cada componente curricular abordará os saberes no sentido de sistematizar:
-as bases científicas e tecnológicas;
-as bases epistemológicas;
-a relação ciência, tecnologia e sociedade;
-a dimensão histórica da ciência;
-a articulação dos conhecimentos com a realidade;
-os processos de transposição didática.
No esquema mostrado na Figura 2 também são apresentados os quatro eixos temáticos transversais à matriz curricular curso de Licenciatura em Química. Esses eixos tratam de temas que envolvem desde a área da Química aos conhecimentos da área da educação voltados para a prática docente em Química para o ensino médio.

Os quatro eixos temáticos são transversais aos componentes curriculares desenvolvidos no decorrer das nove fases do curso e incluem: tecnologias da informação e comunicação;
i) a pluralidade dos sujeitos da prática educativa;
ii) a prática como componente curricular; e
iii) os conhecimentos da área de química e pedagógicos.
O primeiro dos cinco eixos trata das tecnologias da informação e comunicação (TICs). Esse eixo se faz presente dada a importância da inclusão digital e por existir a modalidade de ensino a distância no curso, no desenvolvimento de determinados componentes curriculares.
As TICs se tornaram essenciais para a nova forma de pensar e produzir conhecimento. Isso porque houve uma transição entre as áreas da linguagem oral e escrita para atual era da linguagem digital 30 .
O segundo eixo consiste na abordagem das questões que envolvem a pluralidade dos sujeitos sociais, de seus valores, crenças, modelos, ações e significações, permitindo fluidez na constituição de suas identidades. Os sujeitos são produto complexo de diversos processos de socialização, dessa forma considera-se a pluralidade interna do indivíduo: o singular é necessariamente plural 31 . Os sujeitos participam, portanto, de diferentes grupos sociais e culturais, pertencem a distintos gêneros, classes sociais e etnias. Essas relações constituem os
sujeitos e são constituídas nas diferentes práticas educativas formais e não formais nas quais o(a) licenciado(a) em Química poderá atuar, dentre elas, o ensino médio noturno, diurno, público, privado, a EJA, as classes hospitalares, a educação indígena, a educação do campo... A pluralidade dos sujeitos e a pluralidade dos espaços educativos compõem a diversidades de situações que o(a) futuro(a) professor(a) vai vivenciar em sua prática. Como elemento agregador à identidade docente, mostra-se a importância de transversalizar em forma de eixo essa temática.
A Prática como Componente Curricular (PCC) é o terceiro eixo temático deste projeto. Em cursos de licenciatura, esse eixo tem o papel de articular a formação específica da área de conhecimento, com situações práticas que auxiliem o(a) futuro(a) professor(a) a exercer suas atividades e constituir a identidade docente. A PCC é transversalizada por meio de atividades que promovam a ação-reflexão-ação, a partir de situações-problemas próprias do contexto real de atuação do(a) professor(a). De acordo com a Resolução CNE/CP no 01/2002, a prática como espaço formativo do(a) professor(a) não pode ser restrita à atividade de Estágio Supervisionado, devendo estar presente desde o início do curso de formação de professores(as), previsto na
Resolução CNE/CES no 2/2015. 
As práticas serão realizadas, especialmente, mediante aproximações com os espaços educativos formais e não formais e, quando não prescindirem de observação e ação direta, poderão acontecer por meio das tecnologias da informação e da comunicação, narrativas orais e escritas de professores(as)/alunos(as), produções de materiais didáticos voltados ao ensino de Química, análise de livros didáticos da área, situações simuladoras e estudos de casos.
Estas atividades serão contempladas em diferentes componentes curriculares, conforme especificado no item 28 deste documento, desde as primeiras fases do curso, podendo ser desenvolvidas em diferentes espaços, como nos laboratórios e nos espaços educacionais reais. Diferentemente dos outros eixos temáticos, a prática como componente curricular será expressa em uma carga horária total de 400 horas de atividades, atendendo ao estabelecido legalmente.

O quarto eixo trata da articulação dos saberes da área de Química e os da área pedagógica. Os conhecimentos e aplicações da Química possuem fundamental importância para o desenvolvimento da sociedade e seus efeitos práticos despertam o interesse e fascinação de quem os observa, interpreta e os utiliza.
Na interpretação do mundo através das ferramentas da Química, é essencial que se explicite seu caráter dinâmico. Assim, o conhecimento químico não deve ser entendido como um conjunto de conhecimentos isolados, prontos e acabados, mas sim como uma construção humana, em contínua mudança 32 .
Esse olhar fica prejudicado se na formação inicial transcorrer como uma prática de ensino essencialmente abstrata e descontextualizada. Para Maldaner 33 , não se trata de negar a possibilidade de aprender o conteúdo específico de Química, o fazer químico, a capacidade técnica de fazer a ciência química avançar. Porém, aprender Química é muito mais do que se apropriar de um conhecimento químico, mas também desenvolver um pensamento químico. É compreender a Química como ciência que recria a natureza, modifica-a e, com isso, o próprio ser humano. Como atividade criativa humana, a Química está inserida em um meio social, atende
a determinados interesses de grupos sociais e se insere nas relações de poder que perpassam a sociedade. Saber Química é, também, saber posicionar-se criticamente frente a essas situações 34 . O objetivo da Licenciatura em Química é formar professores(as), portanto o foco é a docência. Nesse sentido, faz-se necessário que a formação contemple inúmeros aspectos didático-pedagógico-filosóficos a partir do conteúdo a ser ensinado, do conhecimento curricular, do conhecimento didático e metodológico sobre a disciplina escolar Química, do conhecimento sobre a construção do conhecimento científico, das especificidades sobre o ensino e
aprendizagem da ciência química. Sendo assim, os conhecimentos químicos e pedagógicos permearão o desenvolvimento do curso.
A organização dos três Núcleos de Formação e dos quatro Eixos Temáticos converge para um propósito comum de formação processual e compartilhada, o qual se baseia no princípio educativo da articulação ensino, pesquisa e extensão. Para consolidar o percurso realizado no decorrer da graduação, o(a) licenciando(a) realizará o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que será preferencialmente articulada às práticas de estágio. Ao final do curso, além de apresentar o TCC por escrito, o(a) aluno(a) fará a comunicação oral e a defesa perante uma Banca Examinadora composta por professores(as) do curso, entre os quais o(a) professor(a) orientador(a), podendo a banca contar com um(a) professor(a) de outra instituição. Para a construção e realização do TCC, desde o projeto até sua apresentação final, incluindo os critérios de avaliação, o(a) aluno(a) observará orientações normatizadas em regulamento próprio. Propõe-se que os componentes curriculares sejam desenvolvidos de maneira interdisciplinar e transdisciplinar para possibilitar a formação integral dos(a) alunos(a), além de embasar teoricamente para construção do trabalho de conclusão de curso e das práticas de
estágio. Nesta organização didático-pedagógica, a articulação entre os núcleos de formação ocorrerá preferencialmente de maneira interdisciplinar nas diferentes fases, para possibilitar a integração de conceitos, a articulação teórica e metodológica. Os eixos temáticos serão contemplados nos diferentes CCs, almejando a efetivação da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. A formação ocorrerá, portanto, de forma processual e compartilhada.

Paula

A avaliação do processo de ensino e aprendizagem não é neutra e objetiva, uma vez
que está assentada sobre uma dada intencionalidade e sobre um suporte político e
epistemológico que guia toda a prática pedagógica, a qual, por sua vez corresponde a um
determinado modelo de escola e de 27 sociedade. Segundo Caldeira (2000), a avaliação escolar
é um meio e não um fim em si mesma; está delimitada por uma determinada teoria e por uma
determinada prática pedagógica. Ela não ocorre num vazio conceitual, mas está dimensionada
por um modelo teórico de sociedade, de homem, de educação e, consequentemente, de ensino
e de aprendizagem, expresso na teoria e na prática pedagógica.
Por visar a uma educação emancipatória e não reprodutivista, baseada na construção
de conhecimento, não no mero acúmulo de informação, acredita-se que a avaliação deva ser
muito mais que a atribuição de valor ao(à) educando(a), ou sua colocação em uma dada escala
de medição 28 . Portanto, na avaliação, devem preponderar os aspectos diagnósticos, para
reorientação e aprimoramento do ensino e da aprendizagem.
Ademais, a avaliação deve contemplar também possibilidades de autoria, de
questionamento dos valores (prático, ético, moral) do conteúdo, não deve constituir mera
repetição do magister dixit. Daí privilegiar-se formas de avaliação alternativas à prova tradicional,
que contemplem o processo mais que o produto e que favoreçam a criatividade e crítica, mais
que a simples “devolução” do conteúdo ensinado.
Assim, no projeto de curso proposto, a avaliação possui caráter formativo e processual. Ou seja, integra o processo de formação uma vez que possibilita diagnosticar lacunas no processo de ensino e aprendizagem, visando ao desenvolvimento das competências previstas no perfil desejado para o egresso do curso e será realizada na perspectiva de tomadas de decisão a respeito da condução do trabalho pedagógico. Nesta perspectiva, tanto servirá ao(à) aluno(a) para autorregular a própria aprendizagem, quanto ao(à) professor(a) para diagnosticar e planejar estratégias para diferentes situações. Dessa forma, o conhecimento dos critérios
utilizados, a análise dos resultados e dos instrumentos de avaliação e autoavaliação são imprescindíveis, pois favorece a consciência do(a) professor(a) em formação sobre o seu próprio processo de aprendizagem.

Além das avaliações em cada componente curricular, serão realizadas reuniões pedagógicas – com a presença do suporte educacional, do conjunto de professores(as) e de representantes dos(as) alunos(as) – nas quais serão avaliados aspectos implicados no processo ensino e aprendizagem. Serão observados pontos tanto de ordem pedagógica quanto os de cunho acadêmico e institucional que concorrem para a permanência e êxito do(a) aluno(a) no seu percurso formativo. Estas serão preparatórias para a realização dos Seminários de
Avaliação, que acontecerão de forma permanente.
Para efeito de tomada de decisão quanto à progressão do(a) licenciando(a), será considerado o desempenho e a frequência às atividades propostas. O desempenho diz respeito ao desenvolvimento das competências de forma satisfatória em cada componente curricular por período letivo, conforme os parâmetros previstos na Organização Didática. Quanto à frequência, será exigido o mínimo de 75% em cada componente curricular.
Além da avaliação do processo ensino e aprendizagem, o(a) estudante será envolvido(a) nos diferentes processos avaliativos relativos ao Curso, tanto internamente pela Instituição, como externamente por órgãos governamentais.

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