Projeto Político Pedagógico

Os trabalhadores nos serviços de manutenção de edificações, dos quais inclui-se o Auxiliar de manutenção industrial, executam serviços de manutenção elétrica, mecânica, hidráulica e outras, substituindo, trocando, limpando, reparando e instalando peças, componentes e equipamentos (CBO, 2021) e demais atribuições. Trabalham seguindo normas de segurança, higiene, qualidade e proteção ao meio ambiente.
Ainda de acordo com a estrutura curricular do curso o egresso do Curso possuirá uma qualificação profissional básica focada nos diferentes conhecimentos relacionados à área de Mecânica e Elétrica Industriais. Deverá ser um profissional com um conjunto de competências, traduzidas em conhecimentos, habilidades e atitudes que o capacite a ter o domínio técnico e comportamental essenciais básicos para o exercício profissional na área de manutenção industrial de equipamentos de diversos segmentos.


Descrição conforme CBO – Classificação Brasileira de Ocupações (2021)
9113 - Mecânicos de manutenção de máquinas industriais
9113.05 - Mecânico de manutenção de máquinas, em geral
Ajustador de máquinas de embalagem, Aprendiz de mecânica de manutenção, Líder de manutenção mecânica, Mecânico de caldeiras, Mecânico de equipamento pneumático, Mecânico de equipamentos industriais, Mecânico de fundição (manutenção), Mecânico de gerador, Mecânico de instalações industriais (manutenção), Mecânico de laminação (manutenção), Mecânico de manutenção (máquinas hidráulicas), Mecânico de manutenção de bombas de refrigeração e hidráulicas, Mecânico de manutenção de equipamentos hidropneumáticos, Mecânico de manutenção de máquina de calçado, Mecânico de manutenção de máquina de curtume, Mecânico de manutenção de máquina de embalagem, Mecânico de manutenção de máquina de rotular, Mecânico de manutenção de máquina industrial, Mecânico de manutenção de máquinas de acondicionar, Mecânico de manutenção de máquinas de embalagem, Mecânico de manutenção de máquinas industriais, Mecânico de manutenção e instalação elétrica, Mecânico de manutenção hidráulica, Mecânico de máquinas de pasteurização, Mecânico de máquinas operatrizes (manutenção), Mecânico reparador de máquinas, Mestre de manutenção de equipamento de solda, Reparador de máquinas.


Áreas de atividade:
- Realizar manutenções em componentes, equipamentos e máquinas industriais;
- Avaliar as condições de funcionamento e desempenho de componentes de máquinas industriais;
- Planejar atividades de manutenção;
- Lubrificar máquinas industriais, componentes e ferramentas;
- Documentar informações técnicas;
- Realizar ações de qualidade e de preservação ambiental;
- Trabalhar com segurança.


- Compreender as ciências como instrumento de interpretação da realidade através da observação e da experimentação sistemática.
- Conhecer formas contemporâneas de manutenção industrial e suas técnicas, almejando o exercício da cidadania e preparação para o trabalho;
- Executar operações básicas de manutenção, considerando os aspectos higiênicosanitários, de responsabilidade profissional e socioambiental.
- Desenvolver os principais fundamentos da tecnologia mecânica direcionados ao projeto, dimensionamento, fabricação e manutenção de equipamentos industriais.
- Entender o comportamento, as propriedades e as aplicações dos principais materiais metálicos (ferrosos e não ferrosos) utilizados nas construções mecânicas.
- Identificar os principais processos de fabricação mecânica, dentre os quais, os processos de conformação mecânica, fundição, usinagem e soldagem.
- Saber manusear instrumentos de medição e operar com segurança, basicamente máquinas operatrizes como tornos, furadeiras, fresadoras além de planejar e efetivar serviços e planos de manutenção em equipamentos industriais.
- Conhecer os principais conceitos relacionados a eletricidade, comandos elétricos e execução de serviços básicos relacionados a instalações elétricas prediais;
- Articular os conhecimentos de diferentes áreas para atuar de forma crítica e cidadã sobre questões relacionadas ao ambiente, à cultura, à sociedade e ao mundo do trabalho.
- Compreender-se enquanto sujeito de direitos e deveres, reconhecendo uma visão histórica e crítica das relações sociais, em consonância com os princípios que regem os direitos humanos.

O público dos cursos de PROEJA é caracterizado por ser formado por pessoas cujas histórias de vida não possibilitaram a formação na Educação Básica no tempo regular. Por esse motivo o projeto de curso não deve se ater em uma replicação das práticas convencionais adotadas no ensino regular, levando em conta as especificidades de pessoas que já tem uma trajetória de vida adulta, onde a maioria deles estabeleceram família, possuem dependentes e estão inseridos no mundo do trabalho, sendo caracterizados não como alunos convencionais, mas como trabalhadores-estudantes.
Tendo em vista o disposto acima, pretende-se que os servidores que atuarão no curso compreendam as particularidades envolvidas com a EJA. Para tal, é fundamental que docentes e TAEs do Núcleo Pedagógico realizem encontros periódicos de formação sobre a EJA e no qual também serão debatidas e elaboradas possibilidades de ações interdisciplinares. Estas reuniões também serão utilizadas para discutir a solução de problemas pedagógicos referentes ao dia a dia da sala de aula, como infrequência, abandono, atrasos, desmotivação, problemas de relacionamento, entre outros. O grupo de servidores que participam dessas atividades são todos aqueles que estarão envolvidos com a turma ao longo do semestre e constituem o Coletivo
Docente conforme a Resolução CEPE/IFSC 186/2017, com carga horária destinada para suas atividades.
A metodologia do trabalho pedagógico é adotada tendo em vista algumas finalidades e características do IFSC, presentes no Projeto Pedagógico Institucional (PPI), no Documento Orientador da EJA (IFSC, 2017), no Regimento Didático Pedagógico (RDP) do IFSC, e no Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Orientado pelo trabalho como princípio educativo, algumas dessas finalidades são: ofertar educação profissional e tecnológica, formando e qualificando cidadãos com vistas à atuação profissional nos diversos setores da economia, com ênfase no
desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional; promover um processo educativo e investigativo de geração e adaptação de soluções técnicas e tecnológicas às demandas sociais e peculiaridades regionais; favorecer a construção de uma identidade crítica, investigativa e ativa socialmente do trabalhador-estudante; realizar e estimular a pesquisa aplicada, a produção cultural, o empreendedorismo, o cooperativismo e o desenvolvimento científico e tecnológico. Além dos aspectos de formação e qualificação profissional, a prática docente é alicerçada pela concepção de ser humano e de cidadão que se pretende formar, bem como, pelas metas e objetivos definidos pela equipe. Consciente que os métodos de ensino não são um fim, mas um
meio pelo qual o docente busca alcançar os objetivos estabelecidos, a prática pedagógica deve desenvolver competências e habilidades relacionadas à construção autônoma do conhecimento; estimular postura ativa do aluno no processo de ensino e aprendizagem; promover a interdisciplinaridade, aprendizagem colaborativa, bem como a necessidade de pesquisa e extensão. A adequação de estratégias aos conteúdos/conceitos que serão trabalhados será sempre analisada para atender as especificidades das disciplinas, a natureza do conteúdo, a
necessidade do trabalhador-estudante, o perfil do grupo/classe e o contexto educacional.
Os conhecimentos referentes às diferentes áreas do conhecimento serão trabalhados de forma a garantir suas especificidades e, também, suas inter-relações. Fundamentado numa abordagem conceitual de interdisciplinaridade, este projeto buscará proporcionar o vínculo dos conteúdos mínimos a serem estudados à compreensão do contexto em que os trabalhadores-estudantes estão inseridos, o desenvolvimento de uma pedagogia autônoma e problematizadora, centrada na resolução de problemas, o aprofundamento e a ampliação dos conhecimentos dos discentes.
Para compatibilizar a oferta do curso com o contexto dos discentes que possuem uma rotina de trabalho e de compromissos familiares, as aulas do Tempo-Escola serão ofertadas no período noturno entre segundas e quintas-feiras, deixando uma noite da semana para que o trabalhadorestudante possa se dedicar a outras atividades do seu cotidiano. No entanto, algumas atividades poderão ser realizadas em contraturno devido a especificidades dos componentes curriculares envolvidos, como visitas técnicas e saídas de campo, respeitando a disponibilidade dos trabalhadores-estudantes. Caso alguns discentes da turma não possam participar poderá ser
desenvolvida uma atividade alternativa em Tempo Social, mesmo que não esteja prevista na carga horária do componente envolvido e desde que não ultrapasse 40% da carga horária do componente curricular. Sobre essa atividade alternativa de Tempo Social deve incidir nota e frequência.
Os trabalhadores-estudantes que não apresentarem documentação exigida pelo edital no momento da matrícula deverão ser matriculados condicionalmente à entrega de documentação conforme a Resolução CEPE/IFSC 186/2017, devendo assinar um termo de compromisso providenciado pelo Registro Acadêmico onde se comprometem a fornecer os documentos faltantes.
A matrícula nos cursos PROEJA ocorre de forma seriada, sendo que o trabalhador-estudante cursa os componentes de diversas áreas do conhecimento e da formação profissional em um mesmo semestre. Apesar disso, não há pré-requisitos de acesso entre um semestre e outro, o que abre a possibilidade de ingresso no início do segundo e terceiro módulos do curso. Dessa forma, na presença de vagas ociosas, o trabalhador que ingressar, por exemplo, no segundo módulo, cursará, em ordem cronológica o segundo, o terceiro, por fim, o primeiro módulo. É importante ressaltar que, com respaldo na Resolução CEPE/IFSC 186/2017, a permanência do trabalhador-estudante não está condicionada a reprovação em no máximo dois componentes curriculares no semestre. Na eventualidade de uma reprova em três ou mais unidades ele poderá ser matriculado em turmas especiais de pendência, preferencialmente na forma de Estudo Dirigido, ao longo dos próximos semestres, e não necessariamente no semestre subsequente àquele no qual foi reprovado. Ainda, ele pode se matricular na turma regular quando ela for ofertada novamente.


Tempo Social
De acordo com o Documento Orientador da EJA no IFSC, (Resol. CEPE/186/2017), o Tempo Social está fundamentado na concepção de que, embora a escola seja uma das agências formativas do aluno, ela não é a única. Nesse sentido, esta oferta de formação profissional integrada ao ensino médio, realizada em parceria SED-CEJA/IFSC-Câmpus Jaraguá do Sul-Rau, prevê que o Tempo Social seja composto por experiências que ampliem o repertório dos alunos e dialoguem com as vivências dos educandos considerando as demais agências sociais do entorno.
Uma especificidade do Tempo Social é que todas as atividades serão desenvolvidas fora do Tempo-Escola, mesmo que, eventualmente, ocorram nas instalações das unidades de ensino ofertantes do Curso. Considerando-se a integração do currículo integrado, espera-se que as atividades formativas a serem realizadas no Tempo Social sejam discutidas e planejadas pelo coletivo docente com a participação de todos os professores do semestre e podendo contar com a participação de discentes nessas ocasiões. As atividades serão organizadas de forma a priorizar a integração dos conhecimentos desenvolvidos nos diversos componentes, de forma que aquilo que for desenvolvido durante o Tempo Social poderá ser retomado pelos docentes em sala de aula durante o Tempo-Escola não só nas unidades curriculares em que a carga horária do Tempo Social está incluída naquele semestre. Isso também pressupõe que o plano de ensino entregue pelos docentes no início do semestre seja preliminar e que a versão definitiva será desenvolvida e apresentada aos trabalhadores estudantes ao longo do semestre letivo. É importante salientar que todas as atividades do Tempo Social serão desenvolvidas fora do Tempo-Escola. Ainda assim, poderão ser desenvolvidas dentro da instituição, em outros horários, quando na participação em palestras, ações de extensão, projetos de pesquisa, saídas de campo, visitas técnicas, oficinas,
eventos, entre outros. Poderá ser desenvolvido também em ambientes não formais, como espaços de cultura, de lazer, no ambiente familiar e no ambiente profissional, quando em consonância com os objetivos do curso e das competências, conhecimentos e habilidades constantes nas ementas dos componentes curriculares. As atividades do Tempo Social serão registradas no Plano de Ensino, podendo ser complementadas por outros instrumentos. Sobre elas incidem frequência e nota, como consta na Resolução CEPE/IFSC 186/2017.
O curso de Qualificação Profissional em Auxiliar de Manutenção Industrial integrado ao Ensino Médio EJA/EPT (PROEJA) tem 1400 horas de duração, distribuídas em três módulos. O Módulo I possui 460 horas, sendo 400 de tempo-escola e 60 de Tempo Social. O Módulo II possui 460 horas, sendo 400 de Tempo-Escola e 60 de Tempo Social. O Módulo III possui 480 horas, sendo 400 de Tempo-Escola e 80 de Tempo Social. Desta forma, considerando-se a Pedagogia da Alternância e levando-se em consideração uma abordagem freiriana de formação integral dos indivíduos, a matriz curricular prevê 200 horas de Tempo Social para a formação dos educandos, correspondendo a aproximadamente 14,30% das 1400 horas totais do curso.

Adriana Weiss, ceja24@sed.sc.gov.br, (47) 3276 9434
Afonso Vieira, afonso.vieira@ifsc.edu.br, (47) 3276-9600
Anderson Bertoldi,
anderson.bertoldi@ifsc.edu.br, (47) 3276-9600
Edson Sidnei Maciel Teixeira, edson.teixeira@ifsc.edu.br, (47) 3276-9600
Estela Ramos de Souza de Oliveira, estela.souza@ifsc.edu.br, (47) 3276-9600
Miriam Hennig, miriam.hennig@ifsc.edu.br, (47) 3276-9600
Tiago da Silva, tiago.silva@ifsc.edu.br, (47) 3276-9600
Vitor Teles Correia, vitor.correia@ifsc.edu.br, (47) 3276-9600


Coordenador do Curso
Anderson Bertoldi, anderson.bertoldi@ifsc.edu.br, (47) 3276-9600

Avaliação da aprendizagem
Os trabalhadores-estudantes enfrentam diversas dificuldades de aprendizagem. Entre as possíveis causas estão a idade dos alunos, o tempo que estiveram longe da escola, a falta de hábito de estudo, a incompreensão dos conteúdos, o não uso da língua na norma culta e a não compreensão da necessidade de estudar determinados componentes curriculares. Ao retornarem à escola, precisam compreendê-la como um espaço de relações, diálogos, reflexões e aprendizagens como experiências significativas em suas vidas.
Entre os princípios considerados pela Instituição, e em consonância com o Regimento Didático Pedagógico (RDP) do IFSC, a avaliação prima pelo caráter diagnóstico e formativo, devendo ser processual, somativa, continuada e diversificada. A avaliação como ato diagnóstico e como processo contínuo tem por objetivo a inclusão, subsidiando ações que viabilizem tanto o domínio técnico como o domínio dos demais aspectos relevantes à formação do cidadão. Serve para indicar avanços e dificuldades na ação educativa, devendo subsidiar a reflexão da prática pedagógica. A avaliação não deve ser um instrumento de classificação, de seleção ou de exclusão social, mas de construção coletiva dos sujeitos e de uma escola de qualidade.
A título de exemplificação, apresenta-se, na sequência, as múltiplas dimensões elucidadas neste projeto sobre o funcionamento do processo avaliativo:
- diagnóstica: na medida em que caracteriza o desenvolvimento do trabalhador-estudante no processo de ensino-aprendizagem, visualizando avanços e dificuldades e realizando ajustes, tomando decisões necessárias às estratégias de ensino e ao desempenho dos sujeitos do processo;
- processual: quando reconhece que a aprendizagem acontece em diferentes tempos, por processos singulares e particulares de cada sujeito, tem ritmos próprios e lógicas diversas, em função de experiências anteriores mediadas por necessidades múltiplas e por vivências individuais que integram e compõem o repertório a partir do qual realiza novos aprendizados, e ressignifica os antigos;
- formativa: na medida em que o sujeito tem consciência da atividade que desenvolve, dos objetivos da aprendizagem, podendo participar da regulação da atividade de forma consciente, segundo estratégias metacognitivas que precisam ser compreendidas pelos educadores. Pode expressar seus erros, como hipóteses de aprendizagem, limitações, expressar o que sabe, o que não sabe e o que precisa saber;
- somativa: expressa o resultado referente ao desempenho do trabalhador-estudante durante o curso, por meio de menções, relatórios ou notas.
A intervenção dos professores no processo avaliativo é fundamental para a reorientação e o redimensionamento da prática pedagógica. Os professores procuram perceber as dificuldades e buscar estratégias metodológicas visando a superação delas, seja com orientações individuais ou em grupo, ou com palestras para toda a turma.
A avaliação se dará durante todos os momentos do processo de ensino e aprendizagem, valorizando o crescimento do estudante qualitativa e quantitativamente. Haverá recuperação de conteúdos e avaliações. A recuperação de estudos deverá compreender a realização de novas atividades pedagógicas no decorrer do período letivo, que possam promover a aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das competências.
Sobre o processo avaliativo dos trabalhadores-estudantes, suas funções primordiais são:
- obter evidências sobre o desenvolvimento do conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias à constituição de competências, visando à tomada de decisões sobre o encaminhamento dos processos de ensino e aprendizagem e/ou a progressão do estudante para o semestre seguinte;
- analisar a consonância do trabalho pedagógico com as finalidades educativas previstas no Projeto Pedagógico do Curso;
- estabelecer previamente, por componente curricular, critérios que permitam visualizar os avanços e as dificuldades dos estudantes na constituição das competências.
Considera-se que a avaliação da aprendizagem é uma ação de acompanhamento dos trabalhadores-estudantes do curso e, nesse sentido, segue-se a orientação do Documento Orientador da EJA no IFSC, oportunizando-se uma atividade substitutiva à avaliação não realizada, por meio de processo específico.
Ao final dos estudos de recuperação o aluno será submetido à avaliação, cujo resultado será registrado pelo professor. Para a aprovação, o aluno deverá atingir, no mínimo, 75% de frequência em cada Componente Curricular.

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